quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Crianças na Praça

A crônica "Crianças na Praça" foi escrita pelo Pr. Antônio Paulo de Oliveira, para o boletim de sua igreja, nesta semana da criança.
O Pr. Antônio Paulo foi missionário da APEC, atualmente é pastor da Primeira Igreja Batista do Bairro Assunção, em São Bernardo do Campo- SP e membro da Diretoria Nacional da APEC.


CRIANÇAS NA PRAÇA


As praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zc 8:5).

Já vão distantes os dias em que as crianças podiam brincar sem ameaças nas ruas ou nas praças das cidades brasileiras. Com o crescimento da violência, dos seqüestros, dos assaltos e das balas perdidas, a cena paradisíaca de Zacarias parece um sonho distante.

De fato, o quadro descrito pelo profeta não é para nossos dias. É para um futuro indeterminado, mas certo, quando Jesus Cristo voltar e estabelecer seu reino milenar, no mundo vindouro. Dentre outras características, aquela época será marcada pela paz e segurança de crianças e velhos (Zc 8:4-5).

A presença de meninos e meninas no reino confirma o ensino de Jesus Cristo. Em seu ministério terreno, o Senhor defendeu as crianças, dizendo: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10:14). Em outra ocasião, diante de uma criança, declarou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo alguém entrareis no reino dos céus” (Mt 18:4).

Com base nestas palavras, conclui-se que o único modo pelo qual qualquer pessoa, grande ou pequena, entra no reino dos céus é pela conversão. No caso dos adultos, a conversão funciona como a experiência de tornar-se criança outra vez, para receber o reino dos céus com a fé, a humildade e a sinceridade da criança. Sendo assim, a visão de Zacarias, com a presença de crianças no reino, é lógica e previsível. O que não se pode prever é o número delas ali, mesmo sabendo que serão muitas, em quantidade suficiente para encher a praça.

A sociedade moderna atual, longe dos valores do reino, já não pensa assim. Já não se vê famílias com muitas crianças, pois os filhos já não vistos como herança do Senhor (Sl 127:3). Muitos casais jovens já não querem filhos, vindo a substituí-los por animais de estimação, como cães ou gatos, que hoje desfrutam de serviços médicos e hospitalares, de hotéis especializados, de serviços de estética e beleza, incluindo-se ainda o direito a festa de aniversário de cães, como fez certa loura emergente do Rio de Janeiro, diante do flash dos fotógrafos.

Se as crianças não têm muito espaço ou valor no mundo atual, terão lugar de honra no reino. As crianças do reino serão alegres e brincarão na praça. O que mais deseja a criança além de brincar? Na imagem da brincadeira das crianças há a idéia de alegria, de deleite, de segurança e de felicidade. Dizer isso para um remanecente recém-chegado de um cativeiro cheio de horror e sofrimento, deve ter sido um grande conforto. Afinal, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém, as crianças foram as maiores vítimas da violência e da fome (Lc 2:19-21).

De lá para cá, o mundo passou por grandes mudanças, mas a criança continua sendo o principal alvo da maldade dessa geração. Estamos cansados de histórias horrorosas envolvendo crianças. Elas são atacadas por todo tipo de violência: verbal, física, moral, e até espiritual.

Diante de uma situação tão grave, é impossível não pensar e desejar as glórias do provir. Dá vontade de orar com o Senhor: “Venha o teu reino”. (Mt 6:10). Para que as crianças possam brincar na praça.

Pr. Antônio Paulo.

Nenhum comentário: