segunda-feira, 29 de junho de 2009

MENSAGEM DA SEMANA - ENTRETENIMENTO - 1ª Parte


Aqueles poucos alunos da classe de primários eram barulhentos e irrequietos. Falavam “pelos cotovelos”. Interrompiam a aula. Conhecendo-os bem, a jovem professora desafiou-os, naquela manhã de domingo, a ficarem quietinhos, ouvindo a história bíblica com bastante atenção, para saberem responder as perguntas do concurso bíblico que ela faria logo após. Que maravilha! Todos estavam em silêncio ouvindo a emocionante história de José, quando de repente... Zezinho, de nove anos, levantou sua mão.

A professora admirou-se. Zezinho costumava interromper a aula, fazendo comentários ou perguntas sobre assuntos totalmente estranhos ao tema da aula. Apesar de seus pais serem líderes na igreja, o comportamento do garoto demonstrava que ele era uma criança habituada a vir dominicalmente à Escola Dominical, mas que, em casa, não recebia a disciplina necessária e muito menos qualquer ensino espiritual. Mas, neste dia, ele não havia interrompido a aula, porém levantado a mão para pedir a palavra! Acho que posso considerar isso como um progresso, pensou a professora.

— O que você quer perguntar, Zezinho?
— Tia Marta, você viu o último capítulo da novela? Eles mataram o...
E ele prosseguiu, comentando sobre o que havia acontecido com cada personagem na minissérie da televisão.
— Ela “virou” uma onça, você viu?...

Tentando não deixar que a conversa se estendesse, a professora pôs fim aos comentários e procurou terminar sua aula. Mas estava preocupada com o Zezinho. E com razão.

O comportamento do Zezinho e os assuntos sobre os quais ele costumava conversar denunciavam a completa falta de sabedoria de seus pais no trato com ele. A jovem professora ficava aflita, sem, contudo saber o que fazer. Não poderia dar conselhos aos pais do menino, pois tinham idade para serem pais dela. Além disso, ela era solteira. E eles eram líderes. Como poderia ela atrever-se a criticar ou ensinar seus líderes? Por outro lado, ela pensava:

— Como podem esses pais crentes permitir que uma criança assista a programas de TV com o conteúdo daquela minissérie? E naquele horário? E, pior, num sábado à noite, sabendo que no domingo pela manhã aquelas imagens ainda estarão em sua mente quando ele vier à Escola Dominical?

Marta, a professora do Zezinho, não é a única a enfrentar esse tipo de problema. E os pais do Zezinho não são os únicos que demonstram falta de sabedoria em disciplinar corretamente seus filhos.

Um aspecto difícil para os pais de hoje e que, consequentemente, causa problemas para os professores diz respeito ao tipo de entretenimento que se oferece à criança.

A televisão, que é um símbolo de entretenimento, invadiu os lares e influencia a nova geração de maneira quase que total. Ela é que está cuidando das nossas crianças e adolescentes.

A atitude dos pais tem sido de absoluta negligência quanto a questionar os assuntos e os valores transmitidos nas propagandas, nas notícias, nos filmes, nos programas humorísticos, nos desenhos, nas novelas e nos musicais. Há falta de uma análise crítica.

O entretenimento hoje, especialmente através da mídia eletrônica, traz para dentro dos lares a corrupção moral, a pornografia, a mentira, a injustiça, a falsidade, a violência. Há estatísticas que apontam para o fato de que as crianças e adolescentes passam horas demais assistindo a maldades, homicídios, roubos, mentiras, atos sexuais e toda sorte de perversidades, tudo isto sob o rótulo de entretenimento.

O que os pais cristãos devem fazer? Quanto tempo devem permitir que seus filhos assistam de televisão? Quais brinquedos e outros itens deveriam comprar para o entretenimento de seus filhos?

Quando pensamos na televisão, no computador, na internet, nos CDs, nos aparelhos eletrônicos ou nos video games, é preciso lembrar que todos estes aparelhos de alguma forma irão afetar as crianças, influenciando-as. As ênfases exageradas de nossa época, na violência e no sexo são resultado, sem nenhuma dúvida, do tempo excessivo de permanência diante das telas, e as crianças e adolescentes não são ensinados a condenar e recriminar o tipo de programação que apresentam estes temas.

Nesta época de comunicação visual, com bombardeio diário de sons e imagens, as famílias não cultivam tempo juntas em que possam conversar compartilhar suas experiências, seus anseios, seus medos, suas dificuldades, suas alegrias; não estão juntas nem para uma refeição, quando se pode passar para os filhos informações sobre as crenças, os valores, as expectativas, e até as necessidades de familiares e amigos, o que contribui tanto para a formação do caráter.

Uma criança que tem sido criada nesta era da comunicação visual eletrônica acaba sendo afetada de várias maneiras. Pode ter dificuldade para concentrar-se numa tarefa, na leitura de um livro, na melhor utilização do seu tempo em alguma atividade útil, no relacionamento com outras pessoas e no aprendizado na escola, quando a comunicação é feita de forma verbal.

Qual seria o melhor presente que os pais poderiam dar aos seus filhos? Entupi-los com toda forma de aparelhagem eletrônica? Será que ainda é possível ir contra a maré e proporcionar aos filhos um ambiente onde a família pode conversar, pode passear, pode fazer um piquenique ao ar livre, pode jogar, pode brincar, pode cantar, pode ler, enfim, fazer alguma coisa que não seja assistir televisão, ou ficar diante de um computador?

A maior responsabilidade dos pais é passar para os seus filhos instrução e ensino a respeito do Senhor, do Seu poder e das Suas maravilhas, conforme lemos no Salmo 78:4. Mas é exatamente esta tarefa que os pais vêm negligenciando de maneira vergonhosa, a ponto de seus filhos não conhecerem praticamente nada da Palavra de Deus.


Continua na próxima segunda-feira (dia 6 de julho)

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