segunda-feira, 6 de julho de 2009

MENSAGEM DA SEMANA - ENTRETENIMENTO - continuação


(continuação do artigo da semana passada, do dia 29 de junho):

A maior responsabilidade dos pais é passar para os seus filhos instrução e ensino a respeito do Senhor, do Seu poder e das Suas maravilhas, conforme lemos no Salmo 78:4. Mas é exatamente esta tarefa que os pais vêm negligenciando de maneira vergonhosa, a ponto de seus filhos não conhecerem praticamente nada da Palavra de Deus.

Estamos assistindo a repetição do que ocorreu em outra época, conforme está registrado em Juízes 2:6-8, 10, 11: “Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um à sua herança, para possuírem a terra. Serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué, e que viram todas as grandes obras, feitas pelo Senhor a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do Senhor, com a idade de cento e dez anos; ... Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após deles se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tão pouco as obras que fizera a Israel. Então fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; pois serviram aos Baalins.

Ali estava uma geração que, embora tenha tido pais e avós que testemunharam da grandeza e do poder de Deus, cresceu sem conhecer o Senhor e os Seus feitos. Seus pais e avós receberam muitas bênçãos do Senhor e seus filhos estavam agora desfrutando de uma situação muito privilegiada, na terra de abundância e fartura em que haviam entrado. O tempo difícil da escravidão no Egito, das caminhadas duras pelas areias do deserto, das guerras, da falta de alimento e de água, tudo isto havia ficado para trás.

Quem sabe se aqueles pais estavam tão preocupados em que seus filhos aproveitassem o bom momento em que viviam, desfrutassem das bênçãos de Deus e folgassem, que acabaram negligenciando o dever que tinham perante Deus. O Senhor lhes havia mandado contar aos filhos a história de sua libertação do Egito; comemorar a festa da Páscoa, ensinando que o sangue foi colocado nas ombreiras das portas para salvar o primogênito de cada família israelita; ensinar os mandamentos dados por Deus ao seu povo; inculcar a verdade de que o Senhor Deus é o único Senhor e deve ser amado com toda a força e de todo o coração.

O que aconteceu com aquela terceira geração foi que não receberam a influência de seus pais e, sim, da cultura dos cananeus e dos ferezeus, e deixaram de adorar o Senhor, vindo a servir a Baal e a Astarote. Foi uma tragédia!

O problema maior não está na época, na quantidade de maldade, violência e pecado que estão em toda parte e, sim, na falha dos próprios pais em anunciarem o Senhor aos seus filhos, não apenas em palavras, ou por meio da freqüência a locais de culto, mas com ações concretas de pessoas comprometidas com Deus.

Nossa época não é diferente daquela descrita em Juízes 2, assim como não é diferente da época de Noé, ou da época de Abraão e Ló.

No meio de uma sociedade marcada pela violência e afastamento de Deus, lemos que “pela fé, Noé, divinamente avisado de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa” (Hebreus 11:7). Noé influenciou de forma decisiva a sua família.

Qual seria o nome adotado por Noé e sua esposa para se referirem ao “tempo” que gastavam com seus filhos, falando-lhes sobre Deus e ensinando-os a reverenciá-lO? Seria “Culto Doméstico”? Ou eles não tinham tempo pois havia o noticiário local, ou o filme, ou os programas humorísticos, e tantas outras atrações?

Em Gênesis 18, o Senhor anuncia e garante que Sara dará à luz um filho a Abraão, antes da destruição de Sodoma e Gomorra, cidades cuja perversidade e imoralidade eram tão notórias que nem sequer dez justos puderam ali ser encontrados.

Na casa de Ló, que vivia em Sodoma, este é ridicularizado, chamado de estrangeiro, acusado de ser juiz em tudo, não levado a sério pelos seus próprios genros. Ló chega ao ponto de oferecer suas próprias filhas aos cidadãos de Sodoma, a quem chama de irmãos, os quais desejam abusar dos anjos. Ao olhar para trás durante a fuga, sua mulher demonstrou incredulidade e que seus interesses estavam em Sodoma. Como resultado, virou uma estátua de sal. No final, Ló, embriagado, acaba tendo filhos com suas próprias filhas.

Na casa de Abraão a história é diferente. Isaque é circuncidado com oito dias. Há uma festa quando é desmamado. Acompanha o pai no caminho ao monte Moriá onde, amarrado em cima da lenha, está pronto para ser sacrificado ao Senhor. Isaque recebe as promessas das bênçãos do Senhor, casa-se dentro da vontade do Senhor e ora para que sua esposa possa ter filhos.

Que contraste!

O Senhor havia dito a respeito de Abraão: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor, e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gn 18:19).

Deus chama os pais para que ordenem a seus filhos e suas casas. Isto fala de um viver coerente com a vontade do Senhor, fala de disciplina, de autoridade, de administração, de controle, tudo de conformidade com os padrões de justiça divinos.

Somente neste contexto é que podemos avaliar todo o tipo de comportamento em nossos lares, inclusive na questão do entretenimento.

O Senhor Jesus está voltando. Na Sua vinda, quem O contemplará? Quem estará com Ele? Claro que é todo aquele que foi salvo pela graça, que foi comprado e lavado no sangue de Cristo, e que, por ter nascido de novo, é agora uma nova criatura. Você é um destes? Então, está incluído na descrição feita pelo profeta Isaías, no capítulo 33, versículos 15 a 17: “O que anda em justiça, e fala o que é reto; o que despreza o ganho de opressão; o que com um gesto de mãos recusa aceitar suborno; o que tapa os ouvidos para não ouvir falar de homicídios, e fecha os olhos, para não ver o mal, este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. Os teus olhos verão o rei na sua formosura...”. Seu filho está também descrito aqui?

O cristão, adulto ou criança, possui duas naturezas, que lutam entre si. Na Bíblia, são chamadas de “carne e espírito” ou “velho homem e novo homem” (Gl 5:17; Ef 4:22-24). É importante ensinar a criança a alimentar sua nova natureza, com a leitura da Bíblia e a oração, para ter poder para dizer “não” às tendências e desejos da velha natureza. A maioria das opções de lazer e entretenimento na atualidade, para nada mais prestam senão para “alimentar” a velha natureza. É por isso que existem tantos cristãos fracos, debilitados espiritualmente e vivendo uma vida cristã sem o poder do Espírito de Deus para enfrentar as tentações do dia-a-dia.

Além da TV, muitos outros tipos de entretenimento poderiam e precisariam ser analisados, mas aqui nos faltaria espaço para fazê-lo. Então, fica o desafio para você, pai e mãe. Que músicas seu filho tem ouvido? O que ele tem lido ultimamente? Quais são seus passatempos favoritos? Músicas, brinquedos, filmes, roupas, diversões, leitura, amizades e tudo o mais deve ser analisado sempre da perspectiva celestial. Há necessidade de ordenar a casa e os filhos para que os pés andem no caminho correto; os lábios falem o que é verdadeiro; as mãos estejam sempre limpas; se tapem os ouvidos para toda e qualquer violência; os olhos se fechem e não venham a contemplar o mal; a mente seja guardada com pensamentos puros e o coração esteja sempre cheio da presença do Senhor (Fp 4:8, 9; Cl 3:1-3).

O cristão não precisa ser triste; pelo contrário, Deus quer que sejamos alegres. “Alegrai-vos sempre no Senhor...” (Fp 4:4). Mas devemos voltar a crer que é só na presença do Senhor que há plenitude de alegria (Salmo 16:11) e voltar a viver assim.

Vamos envolver nossas crianças numa atmosfera de alegria, especialmente ao compartilhar a Palavra de Deus às suas mentes e corações. Vamos apresentar a vida cristã para os nossos filhos como algo maravilhoso, alegre, vibrante, que nos entusiasma e dá prazer. Vamos ensinar-lhes a liberdade com responsabilidade: “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas cousas Deus te pedirá conta... Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade...” (Ec 11:9; 12:1). Vamos viver a verdade: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Salmo 122:1). Vamos sorrir com nossos filhos e fazê-los felizes. Vamos eliminar a preocupação exagerada com “coisas” que precisamos nos afadigar para conseguir a fim de lhes dar, e buscar, isto sim, um “tempo” para estar com eles.

Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (Isaías 38:1).

Que aquilo que chamamos entretenimento, hoje, não nos faça chorar amargamente amanhã.

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