sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Capítulo 1 do Livro A VERDADE DE DEUS E A NOVA GERAÇÃO

A VERDADE DE DEUS E A NOVA GERAÇÃO


Foi lançado durante o Congresso da APEC o livro A VERDADE DE DEUS E A NOVA GERAÇÃO que pode ser adquirido através da Loja Virtual da APEC - www.apec.net.br

Segue para sua apreciação o capítulo 1:



Capítulo 1

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO


Refletir sobre o significado da palavra geração é muito interessante e proveitoso e inclui vários aspectos. A palavra “genea” vem da raiz “gen” que quer dizer nascimento, descendência, desdobrando-se nos termos: descendentes, família e raça, por terem uma origem comum.
Usa-se a palavra geração para indicar aqueles que nasceram numa mesma época, sendo assim contemporâneos e que vivem suas vidas numa determinada extensão de tempo. Neste sentido fala-se muito no conflito de gerações observando-se as diferenças entre a geração mais antiga, a geração mais jovem e a geração futura, os que hoje são os bebês.
Na Bíblia, há ocasiões em que a palavra descreve especialmente um tipo de pessoa, como por exemplo: “Salvai-vos desta geração perversa” (Atos 2.40) ou “Tal é a geração dos que o buscam, dos que buscam a face do Deus de Jacó” (Salmo 24.6).
Esta nítida separação entre dois tipos de pessoas, que embora vivendo numa mesma época sejam claramente distintas, aparece várias vezes na Palavra de Deus: “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Filipenses 2.15).
Um tema muito presente na Bíblia refere-se à transitoriedade do homem, maravilhosamente definido no Salmo 90.10: “Os dias de nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta, neste caso, o melhor deles é canseira e enfado porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.”
Há estudiosos que concluem, com base nesse Salmo, que setenta seria o número de anos que dura uma geração. Outros chegam à conclusão de que uma geração duraria exatamente quarenta anos, tomando como referência o tempo que Israel peregrinou pelo deserto, uma vez que as pessoas daquele período foram conhecidas como a “geração do deserto”.
O fato é que seja quarenta ou setenta anos, como comparar este período tão curto com a eternidade de Deus? O Salmista assim se expressa: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração” (Salmo 90.1).
Uma passagem interessante para se considerar é aquela na qual Paulo afirma que “tendo Davi servido à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu a corrupção” (Atos 13.36).
Na filosofia de Aristóteles, são considerados três tipos básicos de mudança: de quantidade, de lugar e de qualidade. Em relação à mudança de qualidade, a palavra geração é usada como o oposto de corrupção. A geração seria uma mudança do não-ser para o ser, ao passo que a corrupção seria a mudança no ser para o não-ser[1].
O livro de Eclesiastes enfatiza a transitoriedade da vida do homem sobre a face da terra e afirma que “tudo tem o seu tempo determinado” (Eclesiastes 3.1). Neste breve período de sua existência, o homem se lança completamente às inúmeras realizações que envolvem todos os aspectos de sua passagem pela vida, buscando “ser” alguém através do que faz e dos seus relacionamentos. O argumento central é que o tempo vai passar e que chegará o momento em que “o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12.7), e por isso é importante atender ao conselho final do pregador: “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12.13, 14).
Dentre as atividades do homem, que tem uma existência tão curta, há uma tarefa que sempre é muito negligenciada – a de transmitir os mandamentos do Senhor para a próxima geração.
O Senhor disse a Abraão que, por meio dele, seriam benditas todas as nações da terra. Um pouco antes do juízo de Deus ser derramado sobre as cidades de Sodoma e Gomorra, Deus faz uma afirmação a respeito de Abraão, que precisa ser criteriosamente considerada: “Porque eu o escolhi [Abraão] para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo” (Gênesis 18.19).
Quando uma nova geração de israelitas, nascida durante os quarenta anos de peregrinação no deserto, finalmente vai entrar na Terra Prometida, recebe do Senhor a ordem para obedecer aos Seus mandamentos, estatutos e juízos a fim de ser grandemente abençoada.
Moisés lhes diz que esses mandamentos tinham que ser observados pela geração que ouvia a palavra naquele momento, também pela geração dos seus filhos e ainda pela geração dos filhos de seus filhos. Moisés enfatiza a responsabilidade daqueles israelitas em três distintas ações:
·         Amar a Deus de todo o coração, com tudo o que havia neles e com tudo que eles eram.
·         Guardar no coração toda a Palavra do Senhor.
·         Levar os seus filhos a se apropriarem completamente de toda a Palavra do Senhor.

Quando observamos o desdobrar da história, verificamos de maneira notória que houve falha na obediência às recomendações dadas pelo Senhor, porque não demorou muito tempo e surgiu uma nova geração, que não conhecia o Senhor. Veja o que diz o texto de Juízes 2.10 e 11: “Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o Senhor, nem tampouco as obras que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor.”
Passaram-se alguns séculos e essa triste história se repete. Asafe, de maneira enfática, aponta o problema e apresenta, no Salmo 78, a maneira de evitá-lo:
“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que ele fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus”. 
De fato, a falha em passar para a nova geração a verdade de Deus e a verdade a respeito de Deus tem sido a grande tragédia dos séculos. Em cada época, as marcas de uma geração obstinada e rebelde são deixadas de maneira mais proeminente, fazendo crescer século após século a impiedade.
São pouco os que oram como o ancião salmista: “Não me desampares, pois, ó Deus, até a minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder” (Salmo 71.18).
A falha em contar aos filhos sobre quem é Deus, sobre as maravilhas de Sua Pessoa e de Sua Obra, sobre a Sua força e poder são visíveis em toda parte. Percebe-se até que há, de fato, uma atitude de encobrir estas realidades da nova geração.
A maneira descuidada na criação dos filhos deixa o assunto sobre Deus e Sua Palavra fora da conversa. Isso mostra a falha gritante na obediência à recomendação do Senhor de que se deve aproveitar cada circunstância do dia-a-dia, quando o filho acorda, quando se assenta para uma refeição, quando sai para as atividades do dia e até quando vai dormir para conversar sobre Deus. Não. Há negligência em repetir os preceitos de Deus e insistir, relacionando tudo o que acontece com a Palavra do Senhor, até que o filho se aproprie completamente do sentimento do temor a Deus.
O fato é que os pais não estão abrindo os seus lábios para falar sobre as coisas de Deus. Isto acontece porque os seus próprios corações estão vazios do Senhor e de Sua Palavra, pois “a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34).  Daí a recomendação do Senhor: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos...” (Deuteronômio 6.6, 7).
E por que o coração não está cheio da Palavra do Senhor? Porque não está havendo obediência ao que está escrito em Deuteronômio 6.4, 5: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”  
Lutero afirmou certa ocasião que “aquilo que um homem mais ama, isso é o seu deus”. Esta frase nos leva a refletir e a concluir que a raiz da dificuldade em transmitir a verdade de Deus e sobre Deus para a nova geração está no fato de que não temos o Senhor como nosso único Deus. Outros deuses estão ocupando o centro de nossos corações. Nosso amor para com Deus, de todo coração, com tudo o que há em nós e com tudo o que somos, é pequeniníssimo.
É preciso acabar com a idolatria dentro do coração. Derrubar os ídolos e os seus altares. Dar espaço completo para o reinado de Cristo em nós. Recordemos a oração do apóstolo Paulo: “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda  que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3.14-19).
A resposta do Senhor a esta oração fará com que Cristo habite (isto é, se instale totalmente) em nosso homem interior e, tomados de toda a plenitude de Deus, “contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez”. Teremos, assim, a alegria de ver a nova geração colocando em Deus a sua confiança e esperança, sendo obedientes ao Senhor e não se transformando numa “geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus” (Salmo 78:4,7,8).


[1] Conceito extraído da Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia .............................. 

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